O consumo nacional de energia elétrica totalizou 49.104 GWh em janeiro de 2026, registrando alta de 4,1% na comparação com o mesmo mês de 2025. Trata-se da terceira elevação consecutiva da carga no país, reforçando sinais de retomada consistente da demanda.
No acumulado dos últimos 12 meses, o consumo atingiu 564.740 GWh, avanço de 0,5% frente ao período anterior. O movimento ocorre em um contexto de temperaturas elevadas, recuperação gradual da atividade econômica e ampliação do mercado livre de energia.
Residencial e comercial puxam a expansão
A classe residencial foi o principal vetor de crescimento da carga em janeiro, com alta de 8,6% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Entre os fatores que explicam o desempenho estão:
- Maior uso de equipamentos de climatização
- Expansão do número de unidades consumidoras
- Mudanças no padrão de consumo doméstico
O segmento comercial também apresentou avanço relevante, crescendo 6,4%, refletindo aquecimento do setor de serviços e varejo. A classe “outros” registrou alta de 3,6%.
Em sentido oposto, a indústria apresentou retração de 1,3%, indicando possível desaceleração em segmentos eletrointensivos ou ajustes na produção no início do ano.
Sul lidera crescimento regional
A expansão do consumo foi heterogênea entre as regiões do país. O Sul apresentou o maior crescimento percentual, com alta de 7,7% em janeiro.
Na sequência vieram:
- Centro-Oeste: +5,4%
- Norte: +4,6%
- Sudeste: +3,0%
- Nordeste: +2,6%
O desempenho regional reflete fatores climáticos específicos, diferenças na composição da carga e ritmos distintos de atividade econômica. No caso do Sul, o crescimento também dialoga com a retomada de segmentos industriais e agroindustriais, mesmo com a leve retração industrial no agregado nacional.
Mercado livre atinge 43,2% do consumo nacional
O Ambiente de Contratação Livre (ACL) respondeu por 21.204 GWh em janeiro de 2026, o equivalente a 43,2% do consumo nacional. O volume representa crescimento de 4,0% frente a janeiro de 2025.
O número de consumidores livres avançou expressivos 33,5% no período, impulsionado pela abertura promovida pelo Ministério de Minas e Energia por meio da Portaria nº 50/2022, que permitiu, desde janeiro de 2024, a migração de todos os consumidores do grupo A (alta tensão) para o mercado livre.
Desde então:
- 26 mil consumidores migraram em 2024
- 19 mil migraram em 2025
A região Norte liderou a expansão do consumo no ACL, com alta de 6,6%, além de registrar o maior crescimento no número de consumidores livres, com avanço de 45,2%.
Mercado regulado ainda concentra a maior parte da carga
O mercado regulado, atendido pelas distribuidoras, respondeu por 27.900 GWh, o equivalente a 56,8% do consumo nacional em janeiro.
O segmento apresentou:
- Crescimento de 4,2% no consumo
- Alta de 1,9% no número de consumidores
No ambiente regulado, o Sul também liderou o avanço do consumo, com crescimento de 9,4%, enquanto o Norte apresentou o maior aumento no número de consumidores cativos, com alta de 4,0%.
Tendência estrutural e impactos para o setor elétrico
A terceira alta consecutiva da carga sinaliza dinamismo da demanda no início de 2026. O crescimento residencial e comercial sustenta a expansão, enquanto o mercado livre amplia gradualmente sua participação na matriz de contratação.
Com 43,2% da carga já no ACL, o setor elétrico brasileiro consolida uma transformação estrutural no modelo de comercialização. Esse movimento altera o perfil de receita das distribuidoras, intensifica a competição entre comercializadoras e geradores e amplia a complexidade da gestão do sistema.
O desafio, agora, é equilibrar crescimento da demanda, sustentabilidade econômico-financeira das distribuidoras e manutenção da segurança operacional do sistema elétrico.
O início de 2026 indica que o consumo segue em trajetória de recuperação, enquanto o mercado livre se consolida como protagonista na dinâmica de contratação de energia no país.

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