Curitiba está avançando em dois projetos que podem transformar a infraestrutura urbana da capital paranaense: o enterramento de redes elétricas e de telecomunicações e a expansão da eletrificação do transporte público.
As iniciativas contam com participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e têm em comum a busca por uma cidade mais resiliente, eficiente e preparada para novas demandas de mobilidade e infraestrutura.
Menos fios e mais resiliência urbana
A Prefeitura de Curitiba e o BNDES assinaram um protocolo de intenções para iniciar os estudos de viabilidade de uma parceria público-privada (PPP) voltada ao enterramento da fiação elétrica e de telecomunicações.
A primeira etapa prevê estudos para aproximadamente 120 quilômetros de vias, com custo estimado em R$ 1,2 bilhão. A proposta deve priorizar regiões do Centro e áreas próximas, incluindo locais de maior densidade urbana, interesse turístico e histórico ou maior exposição a eventos climáticos.
Além de contribuir para a organização visual da cidade, o projeto busca reduzir riscos de acidentes, incêndios e furtos, proteger as redes contra eventos climáticos e diminuir a possibilidade de apagões e interrupções de serviços.
Um desafio que envolve energia e telecomunicações
O enterramento das redes vai além de uma obra de engenharia. A iniciativa envolve diferentes concessionárias, contratos de concessão e regras federais relacionadas aos setores de energia e telecomunicações.
Por isso, os estudos deverão avaliar aspectos técnicos, econômicos, jurídicos e regulatórios, considerando também as atribuições da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
A modelagem deverá definir ainda como uma eventual PPP municipal poderá se relacionar com as concessões federais existentes.
Essa combinação entre infraestrutura, regulação e financiamento pode fazer de Curitiba uma referência para outras cidades brasileiras que buscam modernizar suas redes urbanas.
Da infraestrutura para a mobilidade elétrica
A transformação da cidade também passa pelo transporte público.
O BNDES aprovou R$ 380 milhões para a aquisição de 80 ônibus elétricos e a implantação de um eletroposto próximo ao Terminal Capão da Imbuia.
A nova concessão do sistema de transporte, lançada em agosto, prevê R$ 3,9 bilhões em investimentos ao longo de 15 anos, incluindo a eletrificação da frota, novas rotas, melhorias na integração e aumento da eficiência operacional.
O edital estabelece ainda a incorporação de 250 ônibus elétricos entre 2027 e 2031, sendo 90 já no início da nova operação.
A estratégia prevê concentrar parte relevante dos veículos elétricos nas linhas de maior demanda. Com isso, aproximadamente um terço dos lugares ofertados pelo sistema deverá ser atendido por ônibus elétricos.
Energia, mobilidade e infraestrutura no mesmo projeto
Os movimentos de Curitiba mostram como diferentes áreas da infraestrutura urbana começam a ser planejadas de forma integrada.
O enterramento das redes pode aumentar a proteção de serviços essenciais diante de eventos climáticos, enquanto a eletrificação do transporte público cria novas demandas relacionadas à infraestrutura de recarga e ao consumo de energia.
Nesse cenário, modernizar as cidades não significa apenas construir novas estruturas. É necessário também planejar como a energia será distribuída, utilizada e integrada à mobilidade urbana.
Curitiba avança justamente nessa direção, combinando investimentos em redes, transporte elétrico e planejamento urbano. O resultado pode servir como referência para outras cidades brasileiras que enfrentam desafios semelhantes na transição para uma infraestrutura mais eficiente e resiliente.

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